Duo Santoro lança o aguardado “Bem Brasileiro”, primeiro disco em 20 anos de carreira

Gêmeos violoncelistas dedicam CD a compositores brasileiros do século XX e contemporâneos, e traçam elegante panorama da música de concerto inspirada em elementos nacionais

Em atividade há mais de duas décadas, com uma história profissional consagrada tanto na música erudita quanto na popular, o Duo Santoro, formado pelos irmãos Paulo e Ricardo Santoro em 1990, lança o seu tão aguardado primeiro disco, “Bem Brasileiro”, pela gravadora A CASA DISCOS, totalmente dedicado a compositores brasileiros do século XX e contemporâneos. Com direção artística do pai, o contrabaixista Sandrino Santoro, com quem os gêmeos iniciaram seus estudos desde meninos, e produzido por Sergio Roberto de Oliveira – indicado ao Grammy Latino 2012 pela produção do CD “Prelúdio 21 – Quarteto de Cordas” -, o CD reúne obras de compositores expoentes da nossa música, em formação para duo de violoncelos, em um repertório que joga luz nas diferentes tonalidades que formam a música brasileira.

O título “Bem Brasileiro”, em menção à célebre frase de Heitor Villa-Lobos, revela a brasilidade presente em todas as faixas do CD, que se inaugura com “O Trenzinho do Caipira”, uma das melodias villalobianas mais populares, com adaptação singular dos irmãos Santoro. O polonês Waldemar Szpilman, nascido em 1915 e imigrado para o Brasil em 1925, é representado pela obra “Choro”, reveladora do seu trânsito fácil entre as músicas de concerto e popular. “Três Temas do Folclore”, do contrabaixista e compositor Ricardo Medeiros, traz impressa a singeleza do primeiro movimento e a crescente ênfase nos seguintes. O compositor alemão Ernst Mahle, naturalizado brasileiro em 1962, alça destaque com “Três Duetos Modais, escritos em 1974, denotando a forma natural como incorporou os elementos brasileiros em sua formação musical europeia. A “Modinha”, de Franciso Mignone, obra conhecida como o segundo movimento da sonata para dois fagotes, ganha adaptação para dois violoncelos sem muitas alterações do texto original. O argentino José Alberto Kaplan, naturalizado brasileiro em 1969, escreveu “Nazareteando” especialmente para o Duo Santoro, não escondendo no título a inspiração de Ernesto Nazareth.

O disco traz outras grandes surpresas como o violinista mineiro radicado no Rio de Janeiro Alexandre Schubert, com sua peça “Duo”. “Choro Seresteiro”, escrito por Osvaldo Lacerda em 1974, imprime um ar de seresta ao disco, e Ernani Aguiar surge em “Seis Duetos”, compostos em 1985, reunidos aqui pela primeira vez em sua forma integral. Escrita originalmente para contrabaixo e orquestra de câmara, “A 7° Folha do Diário de um Saci”, de Edmundo Villani-Côrtes, inspira-se no folclore brasileiro, enquanto a “Cantiga e Desafio”, do carioca João Guilherme Ripper, traz trechos de acentuada polifonia e mudanças de andamento e métrica. Sergio Roberto de Oliveira encerra com o seu “Bis”, escrita em 2012 especialmente para este CD e dedicada ao Duo Santoro.

 

 

Duo Santoro

Nascidos no Rio de Janeiro, os gêmeos Paulo e Ricardo fazem parte da Orquestra Sinfônica Brasileira desde 1986 e da Orquestra Sinfônica da UFRJ desde 1989, no mesmo ano em que se graduaram pela Escola de Música da UFRJ com nota máxima e dignidade acadêmica Magna Cum Laude. Com Mestrado em Música, já se apresentaram como solistas à frente de várias orquestras, além de participarem de outras formações camerísticas distintas, tais como Trios, Quartetos e outros Duos.

Único duo de violoncelos em atividade permanente no Brasil, o Duo Santoro estreou em 1990 e já se apresentou nas principais salas de concerto do Brasil. Seus recitais incluem um leque eclético de estilos que vai do erudito ao popular. As transcrições e arranjos para violoncelos são assinados, na sua maioria, pelo próprio Duo. Uma das principais metas do Duo Santoro é a divulgação da música brasileira. Para isso, contam com a colaboração de vários compositores, que dedicaram algumas de suas principais obras ao Duo.

No ano de 1992, tiveram seu trabalho reconhecido através das condecorações “Medalha de Ouro” e “Medalha de Prata” conferidas pela Escola de Música da UFRJ, iniciando, a partir daí, participações constantes em gravações para televisão e rádio. Já tocaram ao lado de mestres da música popular como Sivuca, Robertinho do Recife, Bibi Ferreira, Maria Bethânia e Gilberto Gil, entre outros; e em palcos teatrais ao lado dos atores Carlos Vereza e Nathalia Timberg, além de participações em discos de Guilherme Arantes, Simone, Almir Sater e Roberto Carlos, entre outros.

Em 1995, Paulo e Ricardo Santoro receberam por unanimidade da “União Brasileira de Escritores” o Prêmio PERSONALIDADE CULTURAL. Nas comemorações dos 20 anos do Duo Santoro, em 2010, se apresentaram em praticamente todo o Brasil e na República Dominicana, coroando o ano com um recital no famoso Carnegie Hall de Nova York.

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